Dezembro 07, 2003
Soy contra.
Fico feliz. Um pouco mais e dali muito feliz. Então fico com medo. Suspendo a respiração e finjo pro mundo que as coisas não estão tão bem assim, e invento um problema qualquer pra ver se passo incólume. Nunca acreditei em pessoas felizes.
E amor, idem. Nunca acreditei. Então aquele cara com barba cor de gengibre me olhou com olhos verdes.
Livros são bons ou ruins ou médios. Este The Book of Illusions do Paul Auster é tudo ao mesmo tempo. Mas a trilha do Coldtrap é bárbara.
“Ele era milionário”, me falou sobre o morto que não conheci. Não tinha curiosidade. Só espero que ele não tenha economizado muito, viajado menos ou trabalhado demais. Tinha 42 anos.
Deveria ter chegado há 55 minutos. Bato pé impaciente. Homem me olha como se não olhasse. Um disfarce irritante aquele livro com páginas que não viram.
Se todo país tem uma Bélgica e uma África, Londres teve seus dias Rio 92. O namorado do amigo trabalhou dobrado na ONG durante os dias Bush. A ordem era levar todos os mendigos para dormir no abrigo. A chuva não veio nem ajudou na missão.
Fato é que como todos, Matilda precisa de companhia. Vou seguir orientação de leitora e comprar um cáctus chamado Léon.
Quando o Strokes chegou na última faixa pedi para ele vir me olhar e colocar um som que combinasse com aquilo. Foi uma redundância e um clichê aquela banheira com espuma, luz de velas, cálice de vinho e Billie Holliday em pleno meio-dia.
Abra os pulsos e fecha os olhos.
A memória não é uma obrigação, diz o personagem do Godard, é um direito. E como a restituição do imposto de renda ou seguro desemprego, podemos simplesmente não usufruir. Esquecer também é um direito.
Enfio os dedos na água e vejo as gotas caindo. As unhas como geleiras, devolvendo para terra o que roubaram da chuva.
Vamos perder a oportunidade. Vamos atrasar bastante e contar que fomos nós. Vamos pisar na poça e depois no tapete. Vamos responder a pergunta errada. E revelar nossos defeitos. Vamos deixar no meio da sala a sujeira de baixo das unhas. Alguém tem que fazer o serviço sujo. E depois vamos fazer de conta que o mundo é assim apesar de nossa reprovação. Não somos cúmplices, somos intelectuais pobres.
Eles agora só andam em bandos. Não existe mais ponto final, são reticências.
Sou teu amigo, te admiro, parecemos, e ficamos assim, quase olhando pro espelho, achando que somos legais porque parecemos com quem achamos legais, esquecemos que achamos legal quem se parece com a gente.
Faz uma semana e sete dias. São dezenove pintas no lado esquerdo do nariz. E dois anéis de Saturno. Cinco dedos em cada pé. Cinco e quatro em cada mão. Não sou simétrico. Nem sei contar. Foram menos de 1000 votos de diferença. E mais de sete passos no livro de auto ajuda.
Fico feliz. Um pouco mais e dali muito feliz. Então fico com medo. Suspendo a respiração e finjo pro mundo que as coisas não estão tão bem assim, e invento um problema qualquer pra ver se passo incólume. Nunca acreditei em pessoas felizes.
E amor, idem. Nunca acreditei. Então aquele cara com barba cor de gengibre me olhou com olhos verdes.
Livros são bons ou ruins ou médios. Este The Book of Illusions do Paul Auster é tudo ao mesmo tempo. Mas a trilha do Coldtrap é bárbara.
“Ele era milionário”, me falou sobre o morto que não conheci. Não tinha curiosidade. Só espero que ele não tenha economizado muito, viajado menos ou trabalhado demais. Tinha 42 anos.
Deveria ter chegado há 55 minutos. Bato pé impaciente. Homem me olha como se não olhasse. Um disfarce irritante aquele livro com páginas que não viram.
Se todo país tem uma Bélgica e uma África, Londres teve seus dias Rio 92. O namorado do amigo trabalhou dobrado na ONG durante os dias Bush. A ordem era levar todos os mendigos para dormir no abrigo. A chuva não veio nem ajudou na missão.
Fato é que como todos, Matilda precisa de companhia. Vou seguir orientação de leitora e comprar um cáctus chamado Léon.
Quando o Strokes chegou na última faixa pedi para ele vir me olhar e colocar um som que combinasse com aquilo. Foi uma redundância e um clichê aquela banheira com espuma, luz de velas, cálice de vinho e Billie Holliday em pleno meio-dia.
Abra os pulsos e fecha os olhos.
A memória não é uma obrigação, diz o personagem do Godard, é um direito. E como a restituição do imposto de renda ou seguro desemprego, podemos simplesmente não usufruir. Esquecer também é um direito.
Enfio os dedos na água e vejo as gotas caindo. As unhas como geleiras, devolvendo para terra o que roubaram da chuva.
Vamos perder a oportunidade. Vamos atrasar bastante e contar que fomos nós. Vamos pisar na poça e depois no tapete. Vamos responder a pergunta errada. E revelar nossos defeitos. Vamos deixar no meio da sala a sujeira de baixo das unhas. Alguém tem que fazer o serviço sujo. E depois vamos fazer de conta que o mundo é assim apesar de nossa reprovação. Não somos cúmplices, somos intelectuais pobres.
Eles agora só andam em bandos. Não existe mais ponto final, são reticências.
Sou teu amigo, te admiro, parecemos, e ficamos assim, quase olhando pro espelho, achando que somos legais porque parecemos com quem achamos legais, esquecemos que achamos legal quem se parece com a gente.
Faz uma semana e sete dias. São dezenove pintas no lado esquerdo do nariz. E dois anéis de Saturno. Cinco dedos em cada pé. Cinco e quatro em cada mão. Não sou simétrico. Nem sei contar. Foram menos de 1000 votos de diferença. E mais de sete passos no livro de auto ajuda.