Novembro 25, 2005

where are you from? foram seis vezes hoje. fosse so' isso, tudo bem. mas em seguida vem um inquerito que descobri como terminar: enough information? porque alguem que vai de um lugar a outro deve ter um objetivo. e o objetivo deve dar pistas sobre o lugar. no fundo, e' tentativa de descobrir mais sobre eles do que sobre mim.


a alianca que nao tenho me faz ter que responder sem vontade com uma expressao de sem vontade exagerada e escrever e-mails num tom propositadamente sem vontade para mostrar que nao interessa. mesmo que eu nunca tenha demonstrado que interessa minimamente. porque a principio mulher livre e' mulher que se pode ter. o ultimo prete nao conseguiu ler nenhuma entrelinha. joguei pesado: troquei brother por brother in law na frase e nao se fala mais nisso. nao resta nenhuma moral mas esta, mulher casada e' mulher morta. agradeco.


meus bisavos nunca tiveram. dali em diante, virou obcessao nao familiar, mas historica: todo mundo quer. estabilidade. eu queria. mas agora entendi tudo: nao existe mais emprego, nao existe mais estado, nao existe mais territorio. sou, e seremos todos um dia, nomades, mudando de cidade como de roupa; subsistentes, vivendo do trabalho de hoje amanha; atemporais, adolescentes com quarenta anos ou velhos com dezenove; anonimos, com identidades misturadas, confusas ou inexistentes. minha teoria tem como unico objetivo a legitimacao. se seremos todos o que sou, estarei finalmente incluida. o mainstream vai virar periferia.


o bebado hoje me dizia que ensinava languages na escola. what language? all languages! sorriu e rodopiou, tirou uma garrafa de cava literalmente do bolso, serviu copos para todos nos, e explicou: semiotics.

Novembro 03, 2005

os telhados, como eu gosto daqueles de vidro, que estracalham com barulho e cacos para todos os lados. a outra modalidade de telhados sao os de palha, que recebem as pedradas de forma mais silenciosa - mas nao existem telhados 'a prova delas. geralmente os que se beneficiam de telhados do segundo tipo sao aqueles que atiram pedras mais sutis, ou mesmo que guardam a moralidade embaixo do travesseiro. nao ela, e por isso o vidro, quando quebrou, fez tanto estardalhaco. rebecah wade foi a primeira mulher a assumir a editoria do sun, e desde entao faz campanha contra violencia domestica. sentou na cadeira com uma bolsa carregada de pedregulhos e atirou para todos os lados, inclusive para o do principe harry, que fumou e tragou. o sun e' aquele jornal interessante que, junto com o mirror, aponta o dedo para todo caso que possa render um escandalo. 'naming and shaming', eles gostam. nao existe deslize perdoavel nem privado. o juizo final e' agora. mais recentemente, num surto de preocupacao com a filha de kate moss, pagaram para qualquer um que pudesse vender uma historia cheia de sexo, drogas e imagens, por favor. tinham que proteger a menina. pois. rebekah bateu no marido e foi presa. de-me uma manchete.


antes que atirem novas pedras no meu, aviso: o telhado quebrou faz tempo, nunca mandei consertar.


tem tanta coisa para fazer no mundo que decidir pode ser um problema. nao para mim, que nao me vejo escolhendo isso em detrimento daquilo. o tempo me permitira' tu-do, me iludo.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?